terça-feira, 14 de outubro de 2008

História de uma Gata - Chico Buarque


Me alimentaram
Me acariciaram
Me aliciaram
Me acostumaram
O meu mundo era o apartamento
Detefon, almofada e trato
Todo dia filé-mignon
Ou mesmo um bom filé...de gato
Me diziam, todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás
De manhã eu voltei pra casa
Fui barrada na portaria
Sem filé e sem almofada
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gata
Numa louca serenata
Que de noite sai cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Oração Xamânica


"Sagrada árvore da vida ensina-nos a enraizar-nos e a caminhar em equilíbrio.
Ensina-nos a partilhar nosso abrigo, comida, nosso ar.

Ensina-nos a concordar e a ter compaixão E amor por nossos irmãos e irmãs.
Ensina-nos a ser gratos por todos os presentesque recebemos e, lembra-nos de orarmos.

Ensina-nos a permanecer fortes e Ricos pelo Grande Pai Sol.
Ensina-nos a partilhar e a viver como um só.

Sagrada árvore da vida, obrigada por toda sua Sabedoria e por toda vida que você nos oferece. "

terça-feira, 15 de abril de 2008

O dia em que Deus foi morar no coração de um polichinelo
Amanheciaaaa!!!!!
De repente, ele despertou, num sobressalto
De uma cambalhota foi parar no alto
Saía à procura da poesia...
(by Vallery)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Canções de Rei - Max Viana


Max Viana - Canções de Rei

Se eu fosse algum rei, fosse teu Senhor
Eu proclamava, a tua boca um reinado meu
O teu corpo nu, meu santuário...

Se eu fosse algum rei, teu Imperador
Eu ordenava, teu coração a gostar do meu
Cada dia teu, meu calendário...

Inventava canções de rei,
Conquistava o teu amor,
Desobedeceria a lei,
Revelava quem eu sou
Te mostrava que só eu sei,
Onde tudo começou
Inventando canções de rei
Pra enfeitar o nosso amor...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Eu sou a Lenda


Quando Robert Neville aceitou viver na solidão...

"... Com o horror ele tinha se acostumado. Mas a monotonia era o maior obstáculo e ele percebera isso agora, compreendera finalmente. E compreender pareceu dar-lhe um tipo de paz silenciosa, um sentido de ter colocado todas as cartas em sua mesa mental, examinando-as e chegando a uma conclusão."

Enterrar o cachorro não foi a agonia que tinha imaginado. De uma maneira, era quase como enterrar fiapos de esperança e falsas excitações. Daquele dia em diante aprendeu a aceitar a masmorra em que vivia, nem procurando escapar com temeridades súbitas, nem batendo a cabeça ensanguentada nas paredes..." (p.105)


"...Ao invés de ficar sofrendo; tinha aprendido a estupidificar-se na introspecção. O tempo tinha perdido sua qualidade tridimensional. Havia somente o presente para Robert Neville; um presente baseado na sobrevivência do dia-a-dia, sem alturas de alegria nem profundidades de desespero. Ele era predominantemente vegetativo, frequentemente pensando consigo mesmo. E assim ele queria ser." (p.114)
Fragmentos do livro Eu sou a Lenda- Richard Matheson

quarta-feira, 5 de março de 2008

E por falar em tristeza...



Lendo a reportagem da revista Época dessa semana
(03/03/2008,n.511) sobre "o poder da tristeza", tomei a liberdade de postar algumas reflexões pessoais sobre o tema. O conteúdo central da reportagem enfatiza que o estado de tristeza (até certo nível, a meu ver) pode ser benéfico à pessoa. Em um trecho da reportagem os autores apontam o uso indiscriminado de antidepressivos como o prozac, já venerado por muitos como a "pílula da felicidade". É também citada a comercialização de artigos como os livros de auto-ajuda (não tirando o seu mérito) com informações para se ter uma vida feliz, mais próspera, etc. Sou a favor de certas filosofias de vida, que pregam a força do pensamento positivo, a lei da atração, dentre outros, por acreditar em nosso potencial de atrair situações que estejam de acordo com as vibrações que transmitimos.
O que está em questão, porém, é que ninguém é feliz por completo, assim como ninguém é feliz ou infeliz o tempo todo. Refletindo bemmmm....... a tristeza é até necessária; é um momento em que nos isolamos dos outros, nos "fechamos" em nós mesmos, olhamos para dentro de nós. Vejo isso como uma forma de auto-conhecimento, podendo nos levar à elaboração de estratégias para alcançar um equilíbrio satisfatório em suas dimensões física, mental e espiritual. A maioria das pessoas, salvo exceções, ambiciona prosperidade, auto-estima elevada, amor, qualidade nos relacionamentos, saúde, dentre outros. Porém, valorizamos tudo isso ao experimentarmos estados e sentimentos antagônicos, sem os quais não teríamos base para discernir o que nos proporciona ou não o prazer. E mais... um ponto interessante é pensar que o estado depressivo (lembrando que não faço aqui uma apologia à tristeza) pode impulsionar o processo criativo.
Basta observar a trajetória de figuras ilustres como o gênio musical Bethoven, o filósofo Nietzche, os escritores Fernando Pessoa, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, o diretor de cinema Woody Allen, artistas como Janis Joplin, Jim Morrison, Elis Regina.... Ihhh, é uma lista interminável! O que eles teriam em comum? Um histórico de transtornos mentais como depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia... Há um tópico curioso na reportagem, que é exatamente assim: "É durante as fases de depressão que surgem os questionamentos que despertam a criatividade da pessoa atormentada." Hummm, para mim faz sentido. Pensando nos belíssimos poemas do Fernando Pessoa (ai, que injustiça não colocar também com exemplo a Clarice Lispector, o João Cabral de Melo Neto!), teria ele vivenciado experiências dolorosas para chegar ao auge de sua expressão criativa? Ele já mencionou que "o poeta é um fingidor"... Será mesmo? Não estaria, por meio dessas palavras, tentando dissimular a sua própria dor? Tais exemplos, se é que posso chamá-los assim, nos permitem reelaborar o sentimento de tristeza, dando a ele significações diferentes do que convencionalmente costumamos dar, como o fato de associá-lo à fraqueza. Quem sabe pensando assim poderemos nos sentir menos culpados se estivermos tristes? Até porque, como dizia o ilustre poeta desconhecido, "tudo passa"!
Pensando no caráter temporário das coisas, vem à tona a imagem das bolhas de sabão. Algumas têm vida mais curta em comparação a outras, todas elas são frágeis, passageiras, porém todas elas são lindas, brilhantes, agitadas, multicores... A felicidade pode ser comparada a algo Mais que isso: tem mais porte, presença, mas é passageira. A tristeza também. É claro que como todo ser humano normal e falho dou preferência à felicidade! Mas, voltando, penso que não há nada melhor do que buscarmos um equilíbrio interior, construindo uma fortaleza interna que nos permita vivenciar com sabedoria os "altos" e "baixos" da vida, impulsionando a novas experiências e evidenciando a nossa condição dialética de seres em movimento constante.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Compartilhando um poema do Olavo Bilac





"Ora (direis) ouvir estrelas!


XIII


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"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto ...


E conversamos toda a noite, enquanto

A via láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?"


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas."


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Fazendo
jus ao título do blog, essa primeira postagem traz um poema do Olavo Bilac em sua mais pura expressão criativa, coisa de quem ama....